14 Abril, 2009

Neste mundo é mais rico o que mais rapa:
Quem mais limpo se faz, tem mais carepa;
Com sua língua, ao nobre o vil decepa:
O velhaco maior sempre tem capa.

Mostra o patife da nobreza o mapa:
Quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa:
Quem menos falar pode, mais increpa:
Quem dinheiro tiver, pode ser papa.

A flor baixa, se inculca por tulipa:
Bengala hoje na mão, ontem garlopa:
Mais isento se mostra o que mais chupa.

Para a tropa do trapo vazo a tripa,
E mais não digo; porque a Musa topa
Em apa, epa, ipa, opa, upa.

Gregório de Matos. \o/

2 comentários:

Sayuri disse...

nem me fale em Gregório, tava pensando nele agora. Fiz um trabalho sobre ele há pouco mais de um mês e... Acho que me apaixonei :D
Não só pelas palavras bonitas e pelo ótimo arranjo delas que muitos poemas dele têm, mas também, e principalmente, pela obscenidade presentes em muitas de suas obras C:
O poema que eu mais gosto é 'Pica-Flor' :DD

Laura disse...

Gregório era sensacional. e continua atual
(rimou)

das coisas esquecidas.